Ele é libriano – não tinha como ser diferente -; e aniversariou anteontem, aliás. Ele é carapuceiro. Ele é chicano-latino-americano vindo diretamente das lindas terras nordestinas mas enamorado assumido pela babilônia paulistana. Ele escreve modas, contos, crônicas, e simpatia (se duvidar). Ele acredita que ‘só um chifre humaniza um canalha.’
Dentre todos os outros predicados possíveis e merecíveis, com a palavra, o homem dos homens: Xico Sá.
+++
Qual a melhor estratégia para chegar ao trabalho depois de uma noite etílica, com aquela bela ressaca e, mesmo assim, manter-se com um ar produtivo?
– Basta fazer a dramaturgia do trabalho: baita encenação, pegar muito o telefone, fingir entrevistas incríveis. E, com o telefone na mão ninguém vai perturbar sua ressaca sagrada. Óculos escuros também são essenciais, claro. A minha sorte é que trabalho em casa há muito tempo, porque a ressaca em público é uma humilhação para um homem. Todo mundo deve ter o seu direito a um quarto escuro nessas horas.
Me conta alguma grande ressaca tua. E não te importe: um dos meus assuntos preferidos envolve bebidas – ou o que as pessoas fazem quando estão com esse líquido correndo pelo sangue.
– Depois dos 40 anos, a ressaca é uma monstruosidade, vira uma espécie de dengue sartreana – você morto e se perguntando, se questionando até os ossos (…) Acho a ressaca fundamental nesse mundo moderno. Em SP, por exemplo, quanto mais pessoas ressacadas ao meu tempo só melhoram a cidade. Correm menos, trabalham menos, saem menos de casa. Ao mesmo tempo, digo (e não ao meu tempo).
Bueno. Afinal tem o ‘dia dos sem carro’, podia ter o ‘dia da birita’.
– Grande solução urbana.
Outra idéia genial vem da frase ‘eu nunca disse que prestava’. O que tu acha dela?
– Tesão puro. As mulheres que não prestam são as melhores. As que instigam nosso juízo e nos fazem praticar as mais deliciosas sacanagens.
E qual a melhor música pra levar alguém pra cama?
– Qualquer uma do Serge Gainsbourg.
Durante?
– Se for em casa, vale um Marvin Gaye durante. Se for num motel, aquelas babas da Sade; parecem feitas pra isso. Adoro. OUTRA QUE ADORO PRA SAFADEZAS PRELIMINARES É ESTA.
(momento CAPS da entrevista: sim, Xico digitou em letras garrafais)
E depois?
– Se for de manhã o depois, Arizona Dream – Iggy Pop / Bregovic. Se for na madruga: uma Nina Simone na vitrola.
Na arte de amar (não sexualmente falando), quem sabe mais: o homem ou a mulher? Eis a questão.
– Sempre a mulher. Vocês já nascem sabendo. A gente vai aprender alguma coisa dos 30 anos pra frente. E quando começamos a saber um pouquinho, não podemos executar direito: já estamos com o pé na cova (…) Se bem que, às vezes uma cãibra, é consagradora. Tempo atrás, tive uma cãibra na hora ‘h’, estiquei lá o pernão (…) e a menina disse que gozou como nunca. Ficou me enchendo de agradecimentos. E tudo não passou de uma cãibra.
Mas, peraí: se nós, mulheres, já nascemos sabendo amar, isso que eu li no twitter (via @marianarosa) de que ‘amar alguém é meio caminho andado para se ser manipulada’, faz mais sentido pra gente desde cedo?
– Sim, tem essa desvantagem. O amor doentio é uma praga. Procurando evitar, é de bom-tom. Mas eu estava me referindo mais à pratica sexual em si – se é que dá pra falar que uma cãibra tenha a ver com kama sutra.
Qual a criatura feminina que demonstra ser a ‘rainha do borogodó’, segundo a ótica de Xico Sá?
– Scarlett Johansson deve ser uma grande e bela foda. A Penélope Cruz também. Mas prefiro as anônimas. Aquelas bundas anônimas que comovem a gente. Aquelas que nos fazem andar quilômetros só admirando.
Pornografia é arte?
– O Andre Breton dizia que a pornografia é o erotismo dos outros. É a mais pura arte. nada liberta mais o espírito do que pornografia. Seja em que gênero ou formato seja. De preferência a pornografia com amor, essa é de foder de boa.
Elvis não morreu?
– Elvis usa Viagra, mas tá vivíssimo. A ultima vez que o vi foi em Acapulco, na beira da piscina do Hilton Hotel. É salva-vidas aposentado e seresteiro à noite.
E Jim Morrison?
– Está tentando sair do túmulo em paris. Vai voltar como Baudelaire.
Ok. Falamos de sexo, drogas cachaça e rock’n'roll. Se eu não fizer uma pergunta jornalística, os meus colegas de profissão (leia-se colegas jurássicos) vão me matar amanhã. Logo, me diga: o jornalismo morreu ou teremos que matá-lo?
– Eu tenho feito a minha parte nessa chacina, nesse linchamento. NÃO COMPRE JORNAL, MINTA VOCÊ MESMO. Eis o mantra punk.
Eu sou a favor da teoria do caos.
– Total. É o que vale.

morri de prazer intelectual nessa entrevista
Olá! Vi seu comentário no meu blog e resolvi conhecer o seu cantinho. Hum, gostei bastante dele! A entrevista com o Xico Sá fcou ótima, bastante descontraída e irreverente. Enfim, outra jornalista? Beijos!
ele é ultimo dos junkies, a contra-parte masculina da rebordosa, e tem o mesmo gosto pra estrela feminina que eu, rsrsrs show de bola. dia da birita? todo dia é dia de birita. quarta-feira de cinzas como o dia da ressaca ja ta bom.
Xico Sá é foda.
Who the fuck is Xico Sá?
:)
EXCELENTE ENTREVISTA!
E por experiência própria, assino embaixo que:
1. “A gente (NÓS, HOMENS) vai aprender alguma coisa (SOBRE SEXO) dos 30 anos pra frente. E quando começamos a saber um pouquinho, não podemos executar direito”
OBS.: Em 18/11 farei 30 anos…(rsrs)
2. “O amor doentio é uma praga. Procurando evitar, é de bom-tom”
3. “prefiro as anônimas. Aquelas bundas anônimas que comovem a gente. Aquelas que nos fazem andar quilômetros só admirando”
Impecável entrevista – o cara é o pai dos homens e o marido das mulhres. E dá dicas excepcionais! Aliás, estou reproduzindo parte dela no meu blog [com os devidos créditos, é claro]. Beijos.
Divertido. Um mix pop sem muita pretensão.
Valeu!
Gostei muito da direção que você deu a entrevista. Gostosa de ser ler!
Entretanto, preciso fazer uma critica: quando você se refere ao assassinato do jornalismo, e o Xico embarca e faz um comentário lamentoso. Vamos assassinar sim, mas somente aquele que deve ser morto. Tem muita coisa boa sendo feita por aí, e você é um deles, está no caminho certo. Agora dizer “não leia, não ouça, não veja”, é contribuir para que a cegueira do Saramago que já pegou a maioria, alcance a minoria que ainda enxerga. Nosso papel é tirar a venda, e não fazer o nó.
Bom, era isso. Em suma adorei a matéria, parabéns!
Delíciaaa!!!
Ótema entrevista!
rs
Esse vinil tá dando um show de TCC, hein?!
Nossa, que entrevista boa!
Assino embaixo no gosto para fuck music!
Orgulhinho.
Tá ótima Talita!
Me diverti haha.
Fui conferir Serge Gainsbourg e morri imaginado cenas hahaha.
Muito boa a entrevista, Xico Sá é uma figuraça!
haha Parabéns,
Genial, Talita, não tenho muito o que falar. Parabéns pelo bate-papo, mito bem conduzido. O entrevistado, então…
“‘mito’ bem conduzido”
foi sem querer, mas…
Gostei da entrevista… e nunca tinha ouvido falar do cara, mas pesquisarei.
I love putaria! :)
We love putaria! :)