#48 via piauí

  • Bela juventude

toquio

Há muito, muito tempo, o Japão é algo além da Yakuza. Há muito, muito tempo, Tóquio é considerada a meca do consumo fashionista e da tecnologia. Por mais que, em alguns momentos, isso aconteça de forma exagerada – bem exagerada, a propósito. Mas vai saber se um dia esse exagero todo não vai virar tendência, hum?

Eu não desconfio de nada que vem do Oriente. Não mesmo.

Insônia:

Los Angeles tem lá os seus talentos.

Ácido.

Feriado bom. Texto do Pedro Tinho tão bom quanto.

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Percebeu as coisas estranhas quando todos olhavam seu vago pensar intrigados porque ele não comia. Sorriu distraido e então lembrou que não gostava muito de ervilhas, tampouco de brócolis. Se fosse ele quem o servisse, provavelmente não tocaria na salada. A carne regada ao molho de azeitona e cebola agredia seu estômago apenas pelo cheiro, mas junto com o arroz branco, alcançavam perfeita simetria nas cores e na disposição.

dinner

(Cindi G.)

Talvez divagasse sobre o impossível. Isso o entre tinha quando faltava coragem de encarar os olhos que o fitavam julgosamente. O suco cheirava doce, e o brócolis insistia em parecer a sua mãe: coma, é o gigante que devora as pequenas árvores. Seu pai diria apenas coma, mas o pai dela na atual conjuntura não conseguia nem cuspir o que sentia.

Confrontava cada nuance do vento, que criou pra se distrair. Conheceu a menina na cerveja, criou-a no jazz e a devorou no samba. Dilacerou-se em apenas dois momentos: o primeiro confronto e o enfim, a ceia familiar. Já não se importava em parecer agradável.

Soou como uma nota de pistão desafinada. Apenas sorriram quando encheu os olhos de ervilha e respirou o brócolis. O garfo na testa passou-lhes despercebido.

#47 via piauí

  • Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus
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(Heather Leah Kennedy)

Me assustou um bocado reconhecer, depois desse texto, que as mulheres lêem mais que os homens. E que, exatamente por isso, as mulheres tem uma visão literário do amor, enquanto os homens têm uma visão mais prática e física.

A primeira constatação não me indigna tanto. Afinal, basta uma ida a qualquer livraria pra verificar que a procura por livros é majoritariamente feita pelo mulheril. Talvez porque a leitura seja uma atitude feminina – não que isso proíba os rapazes de fazerem o mesmo, pelo contrário. Muitas vezes, ler é mais que imaginar cenas e entender uma história. É se permitir que o autor do que se lê te traga verdades incovenientes. E o pior: você paga por isso.

Já a segunda idéia não chega a ser uma afronta, porém é temerosa. Essa vaga noção de que as mulheres são a parte frágil é tão last summer que não dá nem vontade de falar sobre isso. Assim como acreditar que todos os caras do mundo são imunes a qualquer ser feminino.

Se é pra ter crença em alguma coisa, eu prefiro acreditar na minha vodka.

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Mas, voltando ao escritos do Mario Vargas Llosa na revista piauí (…) Apesar de eu aproveitar somente o início do texto dele pra escrever este, vale a leitura na íntegra. Llosa defende a leitura de romances pelo bem das relações humanas, perpetuação de conhecimento, e ações sexuais.

Em um mundo iletrado, o amor e a fruição não seriam diferentes dos meros instintos elementares que satisfazem os animais: copular e devorar.

Grande Llosa!

Heather Leah Kennedy

Le magique:

- What to do when one has done everything? Read everything, drunk everything, eaten everything?

Stereolab em doses periódicas. E indo muito bem, obrigada.

Love Is Not Pop

elperrodelmar

Outubro tem sido inesgotável, e olha que o meu inferno astral é tradicionalmente em agosto. Mesmo assim, a escriba de cá não pode se dar ao luxo de fazer reclamação alguma. Apesar de inesgotável, outubro tem causado uma boa impressão em vários sentidos. Musicalmente falando, idem.

Quase no final do mês, quando não mais existia esperança de que alguma novidade dispontasse, eis que a sueca Sarah Assbring, idealizadora do El Perro Del Mar, lança o album ‘Love Is Not Pop’. E, pra desmistificar aquele ditado de que não se deve julgar um livro pela capa, já fui logo me encantando com o album novo da Sarah justamente pelo nome.

O amor não é pop, o amor é o anti-hype.

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