#49 via piauí

  • Subway Love Life

subwaylife

A prova prática de que os encontros e desencontros dessa nossa existência mortal ocorrem nas linhas do metrô está logo acima.

No meu caso, eu tenho duas opções:

  1. Sair de Mogi das Cruzes, num sábado qualquer, pela manhã. E rumar sentido Lisboa para ter um fim de semana em família – minha mãe é louca por Portugal;
  2. Enfrentar qualquer estação de metrô em São Paulo, em plena quinta-feira, e ir para Berlin em alguma squat noturna.

Mas, como libriana que sou, o jeito é abolir estas duas opções e pensar numa terceira pra sexta-feira.

Vive la resistance

2010 feelings. Porque da próxima vez que eu ver o Étienne de Crécy, das duas uma: ou vai ser na França ou em Londres.

#48 via piauí

  • Bela juventude

toquio

Há muito, muito tempo, o Japão é algo além da Yakuza. Há muito, muito tempo, Tóquio é considerada a meca do consumo fashionista e da tecnologia. Por mais que, em alguns momentos, isso aconteça de forma exagerada – bem exagerada, a propósito. Mas vai saber se um dia esse exagero todo não vai virar tendência, hum?

Eu não desconfio de nada que vem do Oriente. Não mesmo.

Insônia:

Los Angeles tem lá os seus talentos.

Ácido.

Feriado bom. Texto do Pedro Tinho tão bom quanto.

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Percebeu as coisas estranhas quando todos olhavam seu vago pensar intrigados porque ele não comia. Sorriu distraido e então lembrou que não gostava muito de ervilhas, tampouco de brócolis. Se fosse ele quem o servisse, provavelmente não tocaria na salada. A carne regada ao molho de azeitona e cebola agredia seu estômago apenas pelo cheiro, mas junto com o arroz branco, alcançavam perfeita simetria nas cores e na disposição.

dinner

(Cindi G.)

Talvez divagasse sobre o impossível. Isso o entre tinha quando faltava coragem de encarar os olhos que o fitavam julgosamente. O suco cheirava doce, e o brócolis insistia em parecer a sua mãe: coma, é o gigante que devora as pequenas árvores. Seu pai diria apenas coma, mas o pai dela na atual conjuntura não conseguia nem cuspir o que sentia.

Confrontava cada nuance do vento, que criou pra se distrair. Conheceu a menina na cerveja, criou-a no jazz e a devorou no samba. Dilacerou-se em apenas dois momentos: o primeiro confronto e o enfim, a ceia familiar. Já não se importava em parecer agradável.

Soou como uma nota de pistão desafinada. Apenas sorriram quando encheu os olhos de ervilha e respirou o brócolis. O garfo na testa passou-lhes despercebido.

#47 via piauí

  • Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus
()

(Heather Leah Kennedy)

Me assustou um bocado reconhecer, depois desse texto, que as mulheres lêem mais que os homens. E que, exatamente por isso, as mulheres tem uma visão literário do amor, enquanto os homens têm uma visão mais prática e física.

A primeira constatação não me indigna tanto. Afinal, basta uma ida a qualquer livraria pra verificar que a procura por livros é majoritariamente feita pelo mulheril. Talvez porque a leitura seja uma atitude feminina – não que isso proíba os rapazes de fazerem o mesmo, pelo contrário. Muitas vezes, ler é mais que imaginar cenas e entender uma história. É se permitir que o autor do que se lê te traga verdades incovenientes. E o pior: você paga por isso.

Já a segunda idéia não chega a ser uma afronta, porém é temerosa. Essa vaga noção de que as mulheres são a parte frágil é tão last summer que não dá nem vontade de falar sobre isso. Assim como acreditar que todos os caras do mundo são imunes a qualquer ser feminino.

Se é pra ter crença em alguma coisa, eu prefiro acreditar na minha vodka.

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Mas, voltando ao escritos do Mario Vargas Llosa na revista piauí (…) Apesar de eu aproveitar somente o início do texto dele pra escrever este, vale a leitura na íntegra. Llosa defende a leitura de romances pelo bem das relações humanas, perpetuação de conhecimento, e ações sexuais.

Em um mundo iletrado, o amor e a fruição não seriam diferentes dos meros instintos elementares que satisfazem os animais: copular e devorar.

Grande Llosa!

Heather Leah Kennedy

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