Um belo tempo sem entrevistas por aqui, retorno depois de conversar com
Felipe Guga. Designer, estilista, carioca – e o que mais ele quiser ser -, Felipe é um querido. Por mais que, qualquer dia, ele possa se esforçar em não ser assim. Gosta de signos, semiótica, e é daquele tipo de entrevistado que dá vontade de não terminar a entrevista. Sabe como é?
Num primeiro papo nosso, tu comentou o fato de eu gostar de horóscopo. Eu não gosto, eu sou viciada pra falar bem a verdade. E pra ti, qual a tua relação com signos?
– Eu amo astrologia, e sou fascinado também pelo mundo dos signos. Desde criança fazia concatenações na minha cabeça de qualidades e defeitos das pessoas com seus respectivos signos e na maioria das vezes tudo batia com o que os livros de astrologia dizem sobre cada um dos signos. E isso é fascinante (…) Pensar que pessoas regidas por determinados astros têm um comportamento sentimental X, outro tem um comportamento mais pé no chão, outro tem alma de artista porque é regido pelo planeta Y e tem ascendente em Z, e assim vai (…) Eu que sou peixes com peixes me interesso bastante pela área esotérica, apesar que hoje já não tenho mais a dedicação e interesse que tinha na minha adolescência – que foi a época que mais li livros sobre o assunto. Acredito que ter estudado bastante o assunto me fez ter um auto conhecimento mais apurado e conseqüentemente conseguir conquistar meus objetivos e chegar onde eu planejei. O fato do meu pai ser filósofo e ter estudado bastante astrologia (faz mapa astral, etc.) e uma tia minha tirar cartas e ter um sexto sentido aguçado, foi fundamental para me interessar pelo assunto e querer aprofundar até onde me interessava.
Em São Paulo, modéstia a parte, costumamos ter festas bem boas. E ai no Rio, como é que tá?
– O Rio anda bem servido de festas boas, apesar que isso de fato começou de um ano, 2 pra cá. E, coincidência ou não, todas as festas que eu freqüento daqui e recomendo são de grandes amigos. Uma delas é a
Sundae Tracks. Essa festa já existe há 6 anos senão me engano, do
DJ Melvin, que é uma festa periódica. Geralmente só acontece nas férias, que é quando o pessoal que estuda pode ir na festa e acordar na segunda feira de ressaca sem culpa (rs), já que todas as edições são no domingo à noite. Basicamente toca rock, pop alternativo e ‘ultimate hits’ independente do estilo. Eu sou freqüentador honorário da festa e sou suspeito, costumo dizer com os amigos que ‘não é uma festa, é uma celebração’, visto que de 10 pessoas na pista de dança, conheço 5 – te juro! (rs).
Outra festa bastante requisitada e que cresce a cada edição é a
Prafrentex 90′s. Essa festa é mensal – quem sabe um dia vira semanal? – do meu amigo Bira. O mote dela é o som dos anos 90, do hip hop ao funk brasileiro clássico, além do som rock dessa década.
Além dessas, tem a festa 7dayweekend do DJ Fernando Schlaepfer e DJ Sal, que tocam ‘músicas para sacudir a cabeça e batidas pra balançar a bunda’ – ou ‘músicas pra sacudir a bunda e batidas pra balançar a cabeça’, se preferir hahaha. A festa é um sucesso aqui e sempre tem lotação máxima! Todas essas eu recomendo e terei um prazer enorme de um dia te levar pra você ter a certeza de que não estou mentindo em prol dos amigos e DJs delas! E sim, SP é INCRÍVEL em termos de festa. Um dia o Rio chega lá, ou não!
Aliás, por falar em festa, que tipo de música tem que ter pra te prender num clube até as sete da manhã?
– Até as 7 da manhã? Acho que só rock mesmo, que é a música que eu ouço em casa e quero ouvir nas festas que eu vou. Apesar que escuto jazz, hip hop, pop, reggae, música instrumental, indie, mas rock é o que enche minha barriga!
Inclusive os teus flyers são bem afudê – fica a dica p/ pessoal da naite aqui de Sampa, by the way. Pra qual festa tu gostaria de criar alguma coisa?
– Brigado pelo elogio! Desenhei aqui no Rio flyer durante um ano pra uma festa chamada ‘Maja’, que tocava basicamente música eletrônica (…) Não penso nisso, se tenho alguma festa que eu gostaria de desenhar flyers. Na real, flyer é uma mídia muito pequena perto dos trabalhos que tenho feito.
Se tu tivesse que escolher um personagem de algum filme, qual tu seria e por quê?
– Personagem de um filme? Hum (…) Tem tantos. Pra começar o ídolo máximo
Ferris Bueller do
‘Curtindo a vida adoidado’. Quem nunca sonhou em ser o popular e carismático Ferris que mata aula, tira onda com todo mundo e ainda por cima canta Beatles em plena NY? Adoraria ser o ‘âncora’ vivido pelo
Will Ferrell, já que ele dormiu com a
Cristina Apllegate que é uma das atrizes e mulheres mais lindas que eu já vi hahaha (…) A reposta é cretina mas é sincera, visto que além disso ele é um sujeito cativante e admirado por todos de sua cidade, assim como o Ferris. Quem não gosta disso né? E pra finalizar gostaria MUITO de viver por um dia na pele do
Michael J. Fox em
‘Back to the future’. Imagina viajar no tempo que loucura? Ver seus antepassados, ver seus filhos? Mutcho loco né?
Sempre que possível, eu pergunto p/ mais chegados o que eles estão ouvindo na semana. A intenção é conhecer som novo, ou re-ouvir sonoridades memoráveis. O que tens ouvido por esses dias?
– Tenho ouvido non-stop o recém lançado disco solo do vocalista do Strokes. Achei bem legal. A assinatura sonora dele é sempre muito competente! Outro disco que não fica um dia sem tocar é o último dos franceses do
Phoenix, genial! Baixei recentemente o
The XX também, muito bom, som mais calmo, bom pra ouvir a noite trabalhando (…) Outro nessa pegada é o
Mute Math que é, de 3 anos pra cá, uma das bandas que eu mais comento e cito quando me perguntam, porque ainda não é uma banda estourada e incensada pela mídia. Eles fazem um som moderno mas com instrumentos retrô, que dá uma sonoridade única e bastante criativa. É ouvir e conferir. E pra fechar a lista, tenho ouvido bastante o último do
Fever Ray.
Sobre os teus trabalhos, as tuas criações de camisetas são bem bacanas. Amei a da Häagen Dazs. Quanto a isso, alguma nova pra adiantar? Tanto dos teus jobs com t-shirt como outros.
– Desenho estampas pra algumas marcas de roupa daqui do Rio e de fora. No momento, tenho feito para a
Ausländer, que é uma marca que eu já trabalho há 3 anos e sempre me dão liberdade de criar (que poucas marcas dão), o que acaba gerando uma criatividade maior e conseqüentemente um retorno pessoal bastante satisfatório – a estampa do
Häggen Dazs é dessa marca. Além disso, tenho desenvolvido trabalhos de ilustração pra algumas agências daí de SP e pra
Oi Futuro daqui do Rio.
E a série de camisetas da coleção ‘Equívocos’, o que te inspirou na hora de criar?
– A coleção
‘Equívocos’ surgiu da idéia de fazer uma mini-coleção com 10 estampas e um número limitadíssimo de camisetas por estampa – no máximo 10. O tema, de fato, surgiu depois que as estampas já estavam prontas por incrível que possa parecer. Fiz 20 e selecionei as 12 melhores e que tivessem uma característica em comum. E a palavra e conceito de ‘Equívocos ‘caiu como luva pra essas 12.
Tu costuma planejar suas expectativas de acordo com o ano ou prefere se surpreender com o que vem pela frente?
– Não sou uma pessoa de fazer muitos planos com antecedência não, de me programar e ter um cronograma. Algo me prendendo não é muito minha vibe (…) Prefiro fazer as coisas no seu devido tempo. Sempre entrego todos os trabalhos antes do prazo, sou bastante responsável e correto nesse sentido. Agora quanto a planejar, não é muito a minha praia. Prefiro deixar a vida me levar p/ caminho que tem que ser percorrido. Acredito muito em Deus e sei que ele e guiará p/ meu melhor, e os obstáculos e caminhos sei que serão traçados de acordo com minhas atitudes e escolhas, de acordo com o quanto investi ou deixei de investir em mim.